Geomorfologia do Itatiaia

A.P.A da Serrinha


Texto de Antônio Leão, baseado no Diagnóstico Sócio Ambiental da Serrinha do Alambari (1998) de Maria Helena Fonseca da Conceição  

Mapa Planalto deItatiaia

 

Mapa Ecoturístico
    Mapa de cobertura vegetal

História

Até o início do século XX, a Serrinha do Alambari era coberta por grandes extensões de Mata Atlântica e constituía a parte menos explorada de algumas fazendas. A partir da década de 40 teve início uma ocupação desordenada, com extração de madeira, produção de carvão e desmembramento das terras. Nesta época, logo após a criação do Parque Nacional do Itatiaia - o primeiro do Brasil, intensificou-se o desmatamento na Serrinha. A madeira e o carvão eram transportados em lombo de burro até o ponto onde hoje está a venda e a praça e ali eram embarcados em caminhões para Resende. 

As famílias, originadas do sul de Minas Gerais e também do Vale do Paraíba, plantavam visando principalmente a subsistência. Predominava o sistema da “terça” e da “meia”, mas os colonos se sentiam como se fossem os proprietários. A pecuária extensiva já havia substituído os cafezais e se expandiu também pelos vales e encostas da Serrinha. Entretanto, a exemplo do que ocorreu com a lavoura, não encontrou ali o ambiente mais produtivo. Nos anos 50 começaram a surgir, em escala bem reduzida, as primeiras construções e loteamentos para veranistas. A instalação do Camping Clube do Brasil , na década de 70, confirmou a vocação turística da Serrinha e trouxe uma grande transformação para o local: a parte habitada que antes se limitava à vizinhança da venda se expandiu nos dois quilômetros das estradas acima. A população local quase que triplicou e surgiram os problemas relacionados à contaminação dos mananciais, incluindo casos de hepatite. Hábitos oriundos das cidades: vestuário, gírias, etc, foram aos poucos assimilados pela população local.

Nos anos 80, a crescente procura de ambientes naturais por parte de habitantes das grandes cidades, além do aumento da população, teve conseqüências graves sobre os recursos hídricos da região. Vizinha de Penedo, Visconde de Mauá e do Parque Nacional do Itatiaia, a Serrinha também sofre os efeitos da ocupação urbana e turística. Por outro lado, à medida que aumentava a demanda de serviços para o turismo e novas residências, a vegetação se regenerava nos pastos e lavouras abandonadas. Hoje é notável a presença de mata secundária com aspecto de mata primária.

No ano de 1989, a Associação de Moradores, AMOROSA, tendo em vista a degradação verificada nas localidades vizinhas, expôs ao poder público sua preocupação com a falta de uma política de ocupação sustentável do solo. A Prefeitura de Resende criou então o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Integrado da Serrinha (GTS), composto por moradores, representantes do poder público municipal, estadual e federal, e também por organizações da sociedade com interesse na área da defesa ambiental. Este processo culminou na implantação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serrinha, criada através da Lei Municipal 1.726 de 1991. Esta foi a primeira unidade de conservação municipal de Resende. Este trabalho foi consolidado com a elaboração do Plano Diretor da APA (Lei nº ­1.845 DE 20/05/1994).

 

Geografia

Localização

  A APA da Serrinha está situada no município de Resende/RJ, na encosta leste do Parque Nacional do Itatiaia, Serra da Mantiqueira, abrangendo a parte alta das microbacias dos rios Alambari e Pirapitinga, a oeste da estrada para Visconde de Mauá (RJ-163). A sua área total corresponde a 4.500 hectares.

 

Relevo

 

A Serrinha ocupa um extenso vale e parte das vertentes, onde se situa a sua divisa com o Parque Nacional do Itatiaia. De quase toda a Serrinha é possível avistar os maciços rochosos, que ultrapassam os 2.000 metros de altitude. As chuvas torrenciais, com auxílio dos ventos, esculpiram na muralha rochosa as formas curiosas que vemos hoje e desenharam os vales, por onde descem rios de águas cristalinas com inúmeras cachoeiras. O relevo é de encosta de serra, por onde descem encachoeirados, por gargantas muitas vezes profundas, os rios Alambari e Pirapitinga, e seus afluentes. A APA se estende por estas microbacias hidrográficas, delimitadas ao norte pela Serra do Marimbondo (Divisor de Águas), que separa a Serrinha da Região de Visconde de Mauá; e ao sul, por uma serra que é o limite natural com Penedo, distrito do município de Itatiaia, RJ. A maior parte da Serrinha é constituída por rochas alcalinas, originadas da enorme intrusão magmática que culminou com a formação do Maciço do Itatiaia, com predominância de foiaítos, sienito e nefelino sienitos. 

 

 

Solos  

Os solos são muito rasos, constituídos por camadas de rochas decompostas, recobertas pelo manto de matéria orgânica oriunda da própria floresta. Os solos são pobres, argilosos, com pH muito baixo e alto teor de alumínio. Com exceção da parte baixa da Serrinha, nas proximidades da estrada para Visconde de Mauá, as terras são impróprias para a agricultura, ainda mais se levarmos em conta o relevo acidentado.

 

Clima  

Podemos notar que chove mais na Serrinha do que em outras regiões próximas. A serra costuma abraçar as nuvens (e não as deixa escapar facilmente!), exercendo forte influência sobre as chuvas e a temperatura. A umidade retida nas encostas, e protegida pelas florestas, abastece importantes nascentes. O clima é Mesotérmico com verões brandos, sem estação seca muito pronunciada. A estação chuvosa ocorre de setembro a abril e a seca de maio a agosto. 

 

Hidrografia  

Do alto do Planalto do Itatiaia descem os rios Alambari, Pirapitinga e Santo Antônio, principais rios da Serrinha. As suas microbacias apresentam grande abundância de recursos hídricos e foi no seu seio que a comunidade nasceu e se desenvolveu. Note que Alambari é o sobrenome da Serrinha. O rio Pombo (afluente do Pirapitinga) e o córrego Medeiros (afluente do Alambari) atravessam considerável trecho da área habitada. O Santo Antônio, afluente do Pirapitinga, se destaca pela sua coloração em tons azul e turquesa.  

 Mapa